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Amapá lidera alta de feminicídios no Brasil

Jornal O Amapá | 24/07/2026

Amapá lidera alta de feminicídios no Brasil
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O Amapá teve a maior alta na taxa de feminicídios do país em 2025, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (23). Os dados mostram ainda que o estado lidera o ranking de tentativas de assassinato contra mulheres e mantém índices críticos em crimes sexuais e de ameaça.

O cenário local reflete uma tendência nacional de "recuo seletivo" da violência: enquanto os homicídios femininos gerais caíram no Brasil, os assassinatos motivados por gênero subiram 4%, atingindo o maior percentual da série histórica.

📃 De acordo com o Código Penal, feminicídio é o assassinato de mulheres por razões que envolvem violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Foram 1.571 feminicídios ao longo do ano passado, alta de 4% em relação aos 1.504 crimes registrados em 2024.

Isso significa 4 mulheres mortas por dia. É a maior quantidade de registros desde a criação desse tipo penal -- o que aconteceu em 2015.

Registros de feminicídio ano a ano — Foto: Arte/g1

Feminicídios no Amapá

O Amapá registrou um crescimento de 347,7% na taxa de feminicídios entre 2024 e 2025, alcançando 2,2 vítimas para cada 100 mil mulheres, o maior aumento percentual do país.

O estado ficou à frente do Acre, com alta de 74,3% e taxa de 3,2 e de Rondônia, que apresentou alta de 66% e taxa de 2,9.

Quando analisadas todas as mortes violentas de mulheres, incluindo as não motivadas por gênero, o Amapá também teve a maior alta do Brasil: 198,5%, com uma taxa de 4,5 vítimas por 100 mil mulheres. O índice ficou bem acima da média nacional, que teve queda de 5,5% no período.

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Maior taxa do país em tentativas de feminicídio

Além das mortes consumadas, o estado amapaense registrou o índice mais alarmante de sobreviventes da violência de gênero.

O Amapá teve 14,9 tentativas de feminicídio para cada 100 mil mulheres em 2025, um volume quase quatro vezes superior à média brasileira.

Crimes que antecedem a violência fatal no AP

A alta nos feminicídios no Amapá acompanha o aumento de crimes que funcionam como sinal de alerta para a escalada da violência doméstica:

  • Ameaça: O Amapá registrou a segunda maior taxa de ameaça contra mulheres do país, com 1.491,3 registros por 100 mil mulheres, índice mais de duas vezes superior à média nacional (720,9). O estado ficou atrás apenas de Santa Catarina (1.733).
  • Importunação sexual: Os registros no estado subiram de 253 casos em 2024 para 277 em 2025.
  • Medidas protetivas: O número de descumprimento de medidas protetivas subiu de 505 em 2024, para 519 em 2025.
  • Crimes sexuais contra mulheres

  • O relatório aponta ainda que o Amapá ocupa a quarta posição nacional na taxa geral de estupros por habitante , sendo 89,6 por 100 mil, e a quinta posição quando calculadas apenas as vítimas do sexo feminino, com 127,7 por 100 mil mulheres.
    Sete dos oito estados com maiores índices de violência sexual estão na Amazônia Legal.
    Em números absolutos no Amapá, o levantamento mostra:
    • Estupro (vítimas mulheres): Queda de 152 casos em 2024 para 145 em 2025.
    • Estupro de vulnerável (vítimas mulheres): Queda de 561 casos em 2024 para 370 em 2025.
    • Assédio sexual: Queda de 112 para 109 ocorrências.
  • O panorama nacional do feminicídio

  • De acordo com a pesquisa, no Brasil, 1.571 mulheres foram mortas por razões de gênero em 2025. Ao todo, 44,4% de todos os assassinatos de mulheres no país foram classificados como feminicídio, a maior proporção registrada desde 2015, ano em que o crime foi tipificado.
    Os dados nacionais mostram as principais características desse tipo de crime:
    • Autoria: 79,8% dos feminicídios no país foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Apenas 2,8% foram praticados por desconhecidos.
    • Local do crime: 62,5% das mortes ocorreram dentro de casa (da vítima ou do agressor), enquanto apenas 19,7% ocorreram em vias públicas.
    • Perfil: A faixa etária com maior volume de vítimas foi de 25 a 29 anos (17,2%). Mulheres negras representaram 74,6% das mortas em outras modalidades de homicídio feminino.
  • O ano de 2025 foi o primeiro completo sob vigência da Lei nº 14.994/2024, que tornou o feminicídio um crime autônomo no Código Penal, desvinculando-o da condição de qualificadora do homicídio doloso, quando há intenção de matar.

Fonte: G1/AP